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Futuro em risco: as consequências da popularização da maconha
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Além da dependência, a substância pode provocar uma série de danos a jovens e adultos, impactar a saúde, os relacionamentos e até interferir na hora de fazer escolhas O tráfico e o consumo de entorpecentes no mundo não são novidades, mas a percepção é que eles têm se agravado com o passar dos anos. Os Estados Unidos, por exemplo, estão vivendo uma crise sem precedentes em razão do consumo de opioides, como o fentanil. A substância é uma medicação que, quando usada inadequadamente, leva ao vício, com potencial de matar o usuário por overdose. Em 2023, 112 mil pessoas morreram em razão do consumo da droga, segundo reportagem da rádio norte-americana NPR. Especialistas acreditam que o entorpecente não tem causado tanto estrago no Brasil porque seu preço é elevado em comparação com outras substâncias comuns por aqui, como a cocaína. Mas basta assistir ao noticiário para ter noção do impacto das drogas na vida de alguns brasileiros. A região conhecida como Cracolândia, em São Paulo, ilustra bem essa realidade. Morando nas ruas em condições precárias, milhares de pessoas vivem em torno do crack e de outras substâncias. O interessante é notar que, mesmo com esses dois cenários radicais – nos Estados Unidos e no Brasil –, existe uma tendência global de normalização do consumo da maconha. Por ser derivado de uma planta (Cannabis sativa) e não causar a morte diretamente por overdose, por exemplo, criou-se um entendimento de que o entorpecente não é tão prejudicial, o que leva a negligenciar seus impactos negativos no organismo humano. Quanto mais cedo, pior Uma pesquisa recente feita pelo Datafolha revelou que um em cada cinco brasileiros com mais de 18 anos já usou maconha pelo menos uma vez, com destaque para os homens. Mas o que parece ser um momento de prazer, na verdade, pode levar a sérios impactos à saúde. Dois estudos apresentados nas sessões científicas da American Heart Association revelam que adultos mais velhos que usam maconha têm maior risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) ou até ter um ataque cardíaco quando hospitalizados. Segundo os pesquisadores, a substância causa danos ao coração, aos pulmões e aos vasos sanguíneos. Já cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, verificaram os genomas de um milhão de pessoas e identificaram uma relação entre o abuso de maconha com doenças mentais, maior chance de desenvolvimento de câncer de pulmão e ainda propensão a abuso de outras substâncias, como o tabaco. Se os problemas entre os adultos já chamam atenção, os impactos negativos da maconha entre os mais novos são alarmantes, já que o entorpecente age diretamente no cérebro, que, no caso de adolescentes e jovens adultos, ainda está em formação. “Estudos já demonstram que quanto mais precoce o uso da cannabis entre jovens e adolescentes e quanto maior for a taxa de consumo, maiores são os efeitos negativos. Além da dependência, é possível observar alterações relacionadas à cognição, quando se trata de atenção, concentração e memória”, alerta Rafael Koto, neurologista do Hospital Moriah. Ele reforça que quando a maconha entra na vida de um indivíduo ainda na adolescência há maior risco de episódios de surtos psicóticos. “Podem acontecer ataques de pânico, alucinações e delírios e até levar a diagnósticos bem mais graves, como de esquizofrenia, se a pessoa tiver alguma predisposição genética”, diz. O maior mito sobre a Cannabis A publicidade em torno da maconha divulga a crença de que ela é natural e isso leva muitos a acreditarem que a substância não causa dependência, o que é um mito. Essa droga também desperta os mecanismos de dependência e tolerância no cérebro. “Ao absorver as substâncias presentes na maconha, o cérebro é estimulado a produzir a dopamina, também conhecida como hormônio da felicidade, que gera uma sensação de prazer momentâneo. E, à medida que o cérebro vai se acostumando com aquela dose, quando ele está sem a substância, ele vai dar um comando para que o indivíduo reponha aquilo que está faltando. Conforme a pessoa vai usando a maconha, ela vai disciplinando o cérebro de uma forma negativa, até que chega a um limite de tolerância em que aquela mesma dose já não é mais suficiente e, então, a pessoa vai procurar consumir uma dose maior”, explica Koto. Outro problema é o fato de o menor nível de adicção da maconha estar sendo usado como bandeira para defender seu uso e até mesmo sua legalização. “Apesar de ser menor, o risco de dependência não pode ser ignorado. Tem muita gente querendo classificar essas substâncias e afirmando que o álcool é pior ou que o cigarro provoca maiores danos. Não é interessante classificá-las por meio dessa comparação, pois temos que olhar todas de maneira separada e analisar cada uma delas”, avalia Koto. É importante destacar ainda que os danos do vício, seja ele qual for, são físicos, psicológicos, sociais e têm potencial para afetar a vida inteira de uma pessoa. Será que vale a pena correr esse risco? Uso medicinal O uso da cannabis como forma de tratamento de algumas doenças também tem ganhado espaço no Brasil. Nesse sentido, é preciso ressaltar que não se trata de fumar a erva, mas, sim, de medicamentos que são fabricados para fins específicos, inclusive com a redução máxima ou mesmo ausência do tetraidrocanabinol (THC), que é o componente responsável pelo efeito psicoativo comum no consumo da maconha. Segundo Koto, como qualquer outra medicação, ela pode levar a reações inesperadas no organismo. “Teoricamente são medicações seguras, desde que bem manipuladas, mas, por mais que a dose do THC seja pequena, não podemos afirmar com certeza como o corpo vai se comportar. Assim, há uma série de riscos e por isso é essencial ter acompanhamento médico”, orienta. Questões negligenciadas O consumo da maconha é um tema com muitos pontos a serem explorados e que têm sido descobertos pelos pesquisadores aos poucos. Já se sabe, por exemplo, que a droga tem impacto negativo durante a gestação, pois pode causar parto prematuro, e gera reflexos na saúde dos fumantes passivos, muitos deles crianças que entram em contato com as substâncias nocivas por meio da fumaça. A questão é que não podemos fechar os olhos para esses efeitos e tratá-los como naturais. É preciso empenho das autoridades de saúde, para que façam um trabalho de conscientização dos cidadãos; dos representantes do povo, com relação à proibição do entorpecente; e da sociedade, que precisa ter senso crítico para não se deixar enganar por discursos que pregam a paz mas têm como consequência danos que atingirão a todos. fonte https://www.universal.org/noticias/post/futuro-em-risco-as-consequencias-da-popularizacao-da-maconha/  

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