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O Noivo e o Jejum
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O evangelho de Marcos relata que em certa ocasião de jejum, os discípulos de João e os fariseus interrogaram a Jesus sobre o porquê de seus discípulos não jejuarem. A resposta de Jesus a esta questão, que na verdade era uma crítica pelo fato de os discípulos não jejuarem junto com estes dois grupos de religiosos, trouxe a primeira parábola relatada por Jesus. Esta parábola do evangelho de Marcos foi proferida por Jesus junto com outras duas em sequência: remendo novo em vestes velhas e vinho novo em odres velhos. Tais parábolas foram pronunciadas em resposta à questão: “Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus discípulos?” (Marcos 2.18).


A presença de Jesus significava a chegada da salvação de Deus, não uma reforma do judaísmo, ou de algum outro movimento religioso, mas a criação de algo radicalmente novo: o Reino de Deus. Poderia este reino se manifestar dentro das formas de religiosidade com que o povo estava acostumado? Esta é a pergunta que salta à vista diante do contexto desta parábola. A pergunta sobre o jejum foi feita tendo em vista a comparação de Jesus e seu grupo com os dois outros grupos religiosos em destaque: os discípulos de João e os fariseus. Estes dois grupos reivindicavam serem muito piedosos e mantinham o jejum como prática de sua religião, mas este novo grupo liderado por Jesus não seguia esta regra naquele momento. Com base nesta observação é que surge a pergunta do porquê os discípulos de Jesus não jejuarem.


Nesta parábola o tema central é o jejum, e para esta conclusão somente é necessário que observemos a constante repetição das expressões sobre jejum em apenas três versículos (Marcos 2.18-20). O jejum fazia parte da religião judaica constituindo um dos seus três pilares, ao lado da oração e da caridade, e conforme a lei (Levíticos 16.29-34) deveria ser observado no dia da expiação. Ao decorrer da história de Israel vários jejuns foram adicionados até chegar ao clímax com os fariseus que observavam o jejum duas vezes por semana (Lucas 18.12). Acredita-se que a seita dos fariseus, cujo nome significa separado ou santo, surgiu na época da revolta dos Macabeus em torno de 168 a.C. Eles eram um grupo religioso que se opunha ao helenismo, ou seja, a tendência de acomodar o judaísmo aos ideais do mundo greco-romano. Os fariseus jejuavam duas vezes por semana, para demonstrar piedade. Mas, eles tinham uma atitude que intencionava serem vistos pelos homens e atraírem a atenção de Deus (Mt 23.5).


Já os discípulos de João jejuavam como sinal de arrependimento em preparação à vinda do Reino de Deus. O jejum deles também, consistia em uma busca por demonstrar tristeza pelo pecado. Ainda, é possível acrescentar que no jejum deste grupo havia um tipo de confissão de sua necessidade de purificação. Como visto acima, o jejum representava parte muito importante para a fé destes dois grupos. Contudo, eles viam agora surgir um novo movimento que não se encaixava em seu padrão religioso. Então, Jesus responde ao questionamento sobre o jejum com a seguinte parábola: “Podem, porventura, os filhos das bodas jejuar, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar” (Marcos 2.19).


Jesus ao utilizar da parábola do noivo demonstra que não tem nada contra o jejum praticado pelos fariseus e os discípulos de João, pois, chegaria o tempo em que mesmo seus discípulos jejuariam (Marcos 2.20). Contudo, há uma diferença entre Jesus e estes grupos religiosos, que diz respeito à atitude em relação ao ministério de Jesus. Nesta parábola, Jesus estava descrevendo sua missão como uma cerimônia de matrimônio. Neste casamento, Ele é o noivo e os discípulos são os convidados do noivo e a presença ou ausência do noivo é o que faz toda diferença. Segundo vários autores o casamento oriental durava sete dias com cerimônias, regozijo e festividades. As festividades de bodas, levavam até mesmo professores da Lei a interromper seus estudos, mendigos e quem mais aparecesse podiam comer de graça. Havia danças, tambores sendo tocados, nozes eram jogadas aos convidados, entre outras coisas. Escritos judaicos dizem que participar de uma cerimônia e celebração de casamento, era o cumprimento de um dos mandamentos de Deus; quem recebia a noiva e o noivo era comparado a quem oferecia sacrifício de ações de graças no templo.


Uma cerimônia de casamento era algo tão importante que todos os convidados ficavam dispensados das obrigações do jejum. É por isto que quando Jesus pergunta, “Podem, porventura, os filhos das bodas jejuar, enquanto está com eles o esposo?” a resposta é óbvia: “Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar”. Pois, seria absurdo jejuar durante tão importante celebração. Jesus é representado nesta parábola como o noivo em conexão com as referências do Antigo Testamento que apontavam para Deus como o noivo (Isaías 54.4-8; 62.5 e Ezequiel 16.7-34). O noivo havia chegado para trazer o Reino de Deus, bem diante daqueles homens o Reino de Deus estava iniciando, pois o noivo, o Rei, estava diante deles. Então, não era tempo de jejuar e sim de celebrar a presença do noivo.


A pergunta que deu origem a parábola sobre o noivo e o jejum, não faz uma alusão direta ao fato dos discípulos do Senhor não jejuarem, mas sim ao fato de eles não jejuarem como os discípulos de João faziam (Marcos 2.18). É como se eles estivessem dizendo que se Jesus e seus discípulos quisessem realmente serem aceitos, precisavam se adequar ao padrão religioso que eles estavam acostumados.


Contudo, chegou o dia em que o noivo foi crucificado, e assim como Jesus antecipou a igreja passou a jejuar. Não um jejum baseado apenas em religiosidade, como os fariseus ou dos discípulos de João. Mas, um jejum que foi exemplificado e ensinado por Cristo em sua vida. Um jejum que nos leva ao preparo espiritual da fé e ao crescimento à imagem de Cristo (Mateus 17.21). Um jejum como praticado no início da igreja, que acompanhado da oração, nos ensina a vigilância, a constrição de coração e que alcança a resposta divina (Atos 10.30).


fonte https://www.gospelprime.com.br/o-noivo-e-o-jejum/

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