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Os Perigos de ‘Fingir’ no Ministério
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Quando eu e Tim fomos pela primeira vez para o ministério, uma pessoa sábia nos disse algo chocante sobre os perigos que estaríamos por enfrentar: “Estar no ministério irá fazer de você um cristão muito melhor, ou um cristão muito pior”. Eu podia facilmente entender como eu poderia me tornar uma cristã melhor — pense em todos os estudos bíblicos e orações que faríamos, e todos os livros cristãos que iríamos ler. Certamente, discutir e usar os meios da graça todos os dias só nos ajudaria a nos tornar sábios, maduros e devotos!


Já que esta era uma pessoa que nós respeitávamos, senti-me compelido a considerar a possibilidade de que ele poderia saber algo que eu não tinha conhecimento, sobre como ministrar aos outros podia fazer de você um cristão pior. Nos quase 40 anos desde que ouvi essas palavras, passei a acreditar firmemente que a atração para se tornar um cristão pior — frio, distante de Deus, hipócrita, e até mesmo envolvido em escândalos que podem acabar com sua vida — é bem mais forte quando você está ministrando para os outros do que os benefícios que podem advir por um contato diário com as coisas espirituais.


Uma explicação que é quase sempre sugerida é que o Diabo tem um maior interesse em atacar aqueles que falam por Cristo (e estou incluindo tanto leigos, homens e mulheres, bem como aqueles em um “ministério profissional”), de modo a inviabilizar a sua influência para com o evangelho. No entanto, o que é feito conosco pelas forças das trevas não é nada comparado ao que fazemos a nós mesmos.


O dia virá em que você terá que entregar um sermão, ou aconselhar alguém em necessidade, ou ouvir uma alma deprimida, e você não estará em condições de fazê-lo. Sua vida de oração talvez não esteja em dia, ou você tem algum problema em sua vida conjugal que precisa de atenção, ou qualquer outra infinidade de coisas podem ter interrompido sua comunhão com Deus e a sua alegria no evangelho. (Eu conheci uma mulher que alegou ter tirado “licença-maternidade” de seu relacionamento com Deus!) Quando esse dia chegar, você deve sentar-se, independente de quaisquer mudanças em sua rotina, e se acertar com Deus. Então, e somente então, você deve ministrar em seu nome.

Não Tem Tempo?


Mas o que você será tentado a fazer, e o que a maioria de nós realmente faz, é dizer: “Eu não tenho tempo para voltar à comunhão com Deus antes deste sermão/aula/sessão de aconselhamento/compromisso pastoral. Mas eu sei o que precisa ser dito ou feito, então eu vou fazer o que eu tenho que fazer (mesmo o meu coração estando frio) e depois eu acerto as coisas com Deus”. E, se você não estiver com sorte, você irá conseguir passar por essa situação. A conversa é feita e você ainda é elogiado. A pessoa que você encontra professa gratidão e parece ter sido ajudada. O encontro corre bem. Então você faz isso de novo. E de novo. E de novo.


E depois de um tempo você nem sequer admite para si mesmo que você está fingindo estar interessado na outra pessoa, fingindo entusiasmo por Cristo e seu evangelho, fingindo toda a sua vida cristã, porque você nem sequer se lembra mais de como era ter um relacionamento vibrante com Deus. Você se tornou vazio. Você talvez aparente estar bem externamente, mas dentro, a presença de Deus se foi.


Às vezes, esse vazio é descoberto quando um cristão aparentemente forte e vibrante é achado vivendo uma vida dupla — viciado em pornografia, ou em drogas, ou em álcool, ou tendo um caso, ou envolvido em algum outro escândalo. Se você está sendo poupado desta humilhação pública (que de nenhuma maneira é a pior coisa que pode acontecer, mas pelo menos te acorda para a sua condição espiritual), o vazio do seu coração pode atingir um nível tal que não poderá mais ser ignorado. Talvez a sua fé vacile, ou você se torne cético sobre a possibilidade de uma verdadeira conexão com Deus, supondo que aqueles que afirmam ter estão iludidos.


Ou, talvez, a depressão se instale e, com ela, o desejo de deixar completamente o ministério. Pior de tudo, talvez você simplesmente continue, balbuciando as palavras, sorrindo o sorriso, orando com as pessoas necessitadas, e passando por todos os movimentos, ao mesmo tempo que internamente você esteja desejando que você ou eles estivessem muito, muito longe. Você talvez seja inteligente o bastante para esconder o vazio em seu coração daqueles que olham para você buscando se alimentar espiritualmente, mas aqueles que te conhecem melhor estão cientes da desconexão entre o que você aparenta ser e o seu coração sem amor. Muitos adultos criados na igreja têm memórias amargas que se interpõe entre eles e uma fé própria, devido aos pais que eram uma coisa externamente e outra por dentro.


Qual é a resposta? Correr em direção a Cristo em arrependimento, não importa em que nível ou por quanto tempo a desconexão vem acontecendo, e lançar-se em sua misericórdia. Ele perdoa livremente. Os únicos que não encontram perdão são aqueles que se recusam a pedir por ele.


Além disso, encontrar um amigo espiritual de confiança ou um grupo a quem você possa confessar o que aconteceu e ser responsável por fazer todas as mudanças em sua vida, são necessárias para retornar ao seu primeiro amor. O perigo é real, e muito, muito perigoso. Sua vida pode explodir, ou pode implodir lentamente. Mas “fingir”, a fim de conseguir passar pelo seu ministério é como velejar em direção às rochas. Você pode naufragar a sua fé e levar um monte de outras pessoas para o fundo com você.


Este artigo foi publicado originalmente no Redeemer Presbyterian Church’s monthly Redeemer Report.


Kathy Keller atua como diretor assistente de comunicação para a Redeemer Presbyterian Church em Nova York. Ela é co-autora com seu marido, Tim, de “O Significado do Casamento: Enfrentando as Complexidades do Compromisso com a Sabedoria de Deus”.


fonte https://coalizaopeloevangelho.org/article/os-perigos-de-fingir-no-ministerio/

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