Atos 29 Noticias
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Quer Ser Pastor? Seja Alguém Digno de Ser Imitado
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Não como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. – 1 Pedro 5.3


O dia em que você começa a servir como pastor é o dia em que todos começam a observá-lo. Os membros de sua igreja procurarão pistas em seu rosto, especialmente quando algo estranho acontece. Eles vão notar onde você se senta e com quem você se senta. Eles comentarão quando você tiver cortado o cabelo ou calçado sapatos novos. Se parte da sua camisa sair da calça durante o culto, eles podem notar isso antes de você. Ser pastor é ser vigiado.


O que as pessoas estão procurando? Isso depende da pessoa e da ocasião. O que muitos deles estão buscando—e todos deveriam estar buscando—é um exemplo. O impulso de seguir o exemplo de um pastor pode ser prejudicial, tal como quando um pastor excede seu mandato e abusa de sua autoridade, transformando suas preferências em leis. O impulso de seguir o exemplo de um pastor pode ser até um pouco divertido, como quando membros de sua igreja, e especialmente os jovens que aspiram serem pastores, começam a se vestir como ele se veste e falar como ele fala. A vida de ninguém deve ser governada por preferências pessoais de um pastor. As peculiaridades de vestimenta e fala de um homem geralmente importam pouco. Mas o exemplo moral de um pastor significa tudo.


Uma das muitas maneiras pelas quais a cultura ocidental moderna tenta negar a realidade é tratando a ideia de seguir o exemplo de outra pessoa como inerentemente limitante, sufocante e opressiva. Mas se opor à imitação é cego e tolo visto que imitar alguém é inevitável. Todo mundo imita. Fazemos o que nossos amigos fazem. Fazemos o que as pessoas que queremos ser fazem. Como observou Jason Hood, “Poucos de nós experimentam sushi, as mídias sociais ou cortes de barba e bigode, a menos que sejamos apresentados a eles por um modelo de carne e osso. Os seres humanos não aprendem a falar, ler, escrever, amarrar sapatos ou realizar uma vocação sem doses constantes de imitação.” [1]


A imitação tem suas vantagens. Para aprender a consertar uma pia com vazamento, você prefere ler um manual de cinquenta páginas ou observar um encanador experiente? Parafraseando Sêneca, o caminho do preceito é longo, mas o caminho do exemplo é curto e útil. [2]


O exemplo de quem você segue? Quem deve seguir o seu?


Imitar os outros não é apenas uma questão de hábito e sabedoria de senso comum; é parte integral do cristianismo. O discipulado cristão funciona tanto por instrução quanto por imitação. Como Jesus disse aos seus discípulos na noite anterior à sua morte: “Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.14-15).


Jesus faz do seu próprio amor não só o motivo e os meios, mas também a medida de como devemos amar uns aos outros: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.” (Jo 13.34; cf. 15.12). E Pedro nos diz que mesmo a morte de Jesus, com todo o seu efeito redentor irrepetível, é também o nosso exemplo: “Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus. Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1Pe 2.20-21; cf. Fp 2.5-11; Ef 5.2, 25, 28).


Devemos seguir não apenas o exemplo de Jesus, mas também o de outros crentes. “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Fp 3.17). Aqui Paulo nos exorta a seguir não apenas ele, mas também outros que o seguem. Isso coloca meros mortais em um pedestal alto demais? De modo algum: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1). Exemplos piedosos apontam além de si mesmos para Cristo. Quando você vir um exemplo piedoso, não apenas olhe para ele—olhe para em quem ele se espelha.


As Escrituras conclamam os pastores a liderarem pelo exemplo e os membros a seguirem seus exemplos. Como Pedro insiste: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.” (1Pe 5.1–3). E o autor de Hebreus escreveu para toda a assembleia: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.” (Hb 13.7).


Se você quer ser pastor, comece a dar o exemplo. Viva uma vida que os outros devem imitar. Viva uma vida que outros possam imitar com segurança e proveitosamente. Espero que você já passe suas decisões e hábitos pelo filtro daquilo que Deus diz ser bom. “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. (Fp 4.8). É hora de adicionar um segundo filtro: Isso é um bom exemplo? Posso recomendar esta prática a outras pessoas? “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco” (Fp 4.9). Estará o Deus da paz com os outros se eles praticarem aquilo que você pratica? Crescerão os membros de sua igreja em piedade se fizessem aquilo que você faz?


Se todos em sua igreja estudassem as Escrituras da maneira que você estuda, eles conheceriam a Deus melhor e o obedeceriam mais? Se todos em sua igreja orassem da maneira que você faz, a vida de oração deles seria mais rica ou mais pobre? E seu exemplo não se limita a assuntos obviamente espirituais. Seu exemplo inclui tudo o que você clica e assiste. Inclui como você dá e gasta seu dinheiro. Inclui o que você faz para relaxar e descontrair. Ele inclui todas as palavras que você diz. Inclui como você trata cada pessoa que você conhece.


Certamente, as consciências dos cristãos são calibradas de forma diferente. [3] Dar o exemplo não significa jamais fazer algo que qualquer cristão em qualquer lugar discorde. Mas significa ter um cuidado extra. Significa se preocupar mais com a santidade de outra pessoa do que com sua liberdade. Significa estar sempre pronto para responder à pergunta: “Bem, o que você faz?” Se você precisa tomar uma decisão significativa, e uma das opções pode deixá-lo em uma área moralmente cinzenta, dar um exemplo piedoso pode significar escolher a opção mais segura.


Ser pastor é viver a vida em público. Mesmo quando de folga, está sendo observado. Se você quer ser pastor, prepare-se para ser vigiado e comece a dar um exemplo que vale a pena observar.

Notas de Rodapé:

  • [1] Jason B. Hood, Imitating God in Christ: Recapturing a Biblical Pattern (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2013), 190. A obra de Hood é um tratamento rico e sábio da teologia da imitação das Escrituras. Veja especialmente o capítulo 12 sobre a igreja como uma comunidade de imitadores.
  • [2] Ver Seneca, Ad Lucilium 6.4, in Seneca IV: Ad Lucilium Epistulae Morales I; Books I–LXV, trans. R. M. Gummere, Loeb Classical Library (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1917), 27, 29: “Você deve ir à cena da ação, primeiro, porque os homens depositam mais fé em seus olhos do que em seus ouvidos, e segundo, porque o caminho é longo se seguirmos preceitos, mas curto e útil, se seguirmos padrões. Cleanthes não poderia ter sido a imagem expressa de Zenão, se ele tivesse apenas ouvido suas palestras; ele compartilhou sua vida, viu seus propósitos ocultos e o observou para ver se ele vivia de acordo com suas próprias regras.”
  • [3] Veja o trabalho exegeticamente perspicaz e pastoralmente útil de Andrew David Naselli e J. D. Crowley, Conscience: What It Is, How to Train It, and Loving Those Who Differ (Wheaton, IL: Crossway, 2016).


Publicado originalmente pelo 9Marks: https://www.9marks.org/article/want-to-be-a-pastor-be-someone-worth-imitating/ Traduzido por Marq.


Bobby Jamieson é pastor associado da Igreja Batista Capitol Hill em Washington, DC. Ele é o autor, mais recentemente, da Jesus’ Death and Heavenly Offering in Hebrews [A Morte de Jesus e a Oferenda Celestial em Hebreus]. Pode-se segui-lo no Twitter em @bobby_jamieson.


donte https://coalizaopeloevangelho.org/article/quer-ser-pastor-seja-alguem-digno-de-ser-imitado/

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